"O tempo que temos, se estamos atentos, será sempre exato"
-Caio F.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Seu olhar me diz adeus...

Estacionou seu carro ao lado do dele, em um beco escuro. O mesmo no qual eles paravam para sentar na calçada e olhar pro céu juntos. Permaneceu assim por alguns instantes, se olhou, desligou o carro, saiu e trancou... Seus movimentos, eram regulares, mostravam calma.
Andou até o carro dele, entrou, e fechou a porta, com um delicadeza, que ele adorava nela. Mas ele não a olhava, olhava para frente, as vezes para baixo. Seu maxilar e todos os musculos da sua face se contraiam, em uma expressão de dor, raiva, tristeza... Ela olhava preocupada. Ele já sabia o que ela diria, e ela tinha medo de ele nunca perdoá-la.
Ele deu partida no carro, e acelerou, corria, ela olhava só as faixas de luzes da cidade, não estava com medo, nem pedia para ele ir mais devagar, como sempre pedio. Permanecia o silêncio. Ela não ousava ligar o rádio, e nem falar uma palavra.
Chegaram ao mirante. De lá viam a cidade inteira. Era onde ela se escondia, e onde ele sempre a achava.
Ela sofria com o silêncio, e mesmo sabendo que quando começasse a falar, seria o que estava evitando, deu inicio, ao que estava planejado.
-Como você está? - sua voz era tremula, porque sempre desejava que ele respondesse essa pergunta dizendo que estava ótimo.
-Não enrole, eu sei o que você vai me falar, e você sabe que não, que eu não estou bem.
Ele olhava severamente pra ela. e o silêncio, que quase nunca ficava entre eles, veio denovo nesta noite.
-Antes, me de um beijo e um abraço... Por favor.
Ela fez.
-Agora fale.
Os olhos fixos uns nos outros já previam o que estava por vir.
-Você sabe... Pra que me fazer dizer?....
-Fale agora. Se é isso mesmo, você tem que me dizer.
-Acabou
Era realmente o fim... e o silêncio denunciava isso. Ele não precisava de explicações, já esperava.
-Eu preciso seguir minha vida, ir atras dos meus sonhos, e juntos, nem você nem eu conseguiriamos...
-Não preciso de explicações... Não concordo com você, mas eu não posso fazer nada...
-Preciso ir pra casa. Por favor...
[...]
-É isso mesmo? - Ele sabia a resposta, mas ainda tinha esperanças.
-Sim...
-Ok... Só tenho que te dizer, pode ser a ultima vez. Eu te amo.
-Eu também.
Entrou em seu carro e foi para casa.
[...]
Descobriu naquela mesma noite que o amava muito mais do que pensava, mas era tarde...